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Chique,chique!


As carraças aproveitavam o pelo espesso e comprido do nosso guerreiro para se refugiarem e alimentarem. Era fartar vilanagem!
Como para grandes males, grandes remédios, o Talibocas foi à tosquia (gentileza da tia Sara!)
O resultado está à vista; o nosso Talibocas ficou chique, chique. Até parece um lulu de luxo! Quem te viu e quem te vê, meu amigo.

Talibocas

O nosso Talibocas está de regresso. Está muito inchado, mas continua bem disposto, parece não ter dores apesaro do ar sofrido...
Bem-vindo, meu menino.

Leishmaniose


Há tempos conheci uma senhora que trabalha como voluntária num canil onde abatem todos os cães cujo teste de leishmaniose dá positivo.
O Talibocas tem leishmaniose perfeitamente controlada. Toma ¾ de comprimido Alopurinol diariamente e faz análises ao sangue com regularidade. Os resultados das análises indicam que não há progressão da doença. A única marca visível eram as peladas, mas com a remoção dos tumores dos testículos, percebemos que as peladas não eram provocadas pela leishmaniose, mas sim, pelas alterações hormonais originadas pelos tumores.
Lembro-me quando essa senhora viu o Talibocas olhou para ele de um modo que não gostei. Parecia dizer que não havia lugar para ele no mundo. Referiu as peladas e disse que o pelo nunca mais ia crescer…
Ora o Talibocas está óptimo, tem pelo a crescer por todo o lado. Ainda se nota a diferença porque os pelos ainda não têm o tamanho normal, mas é só uma questão de tempo!
Claro que essa senhora não tem nada contra o Talibocas, apenas aprendeu que os cães que têm leishmaniose são para abater.
É assim porque a solução mais fácil é sempre o abate. A mais fácil, mas não a mais eficaz! É que a leishmaniose não se transmite pelos cães contagiados, mas pelos mosquitos. De que serve eliminar os cães, se não se eliminarem os mosquitos?

A barriga do Guerreiro

(ainda não tenho fotos actualizadas, mas prometo para breve)
Já tinha notado algumas diferenças. Não foi nenhuma mudança radical, mas o Talibocas anda mais brincalhão, corre atrás da bola, brinca à apanhada com o Manuel…
Hoje, quando estávamos a sair para o nosso passeio, o Talibocas corria e saltava feito um louco à minha frente e eu reparei: está a ficar gordo! Está mesmo!
O veterinário tinha avisado que poderia acontecer depois da operação. Não há problema, nada que não se resolva com uma dietazinha. Já está prometida. Assim que acabarem as obras o Guerreiro começa a dieta!

Resultados das análises




Acabei de falar com a Dra. Catarina da Clínica Veterinária de Santo Antão. Já têm os resultados das análises feitas aos tumores (afinal eram dois!) do nosso Talibocas.
Um, o maior, era o que esperavam, certocinoma (ou qualquer outro nome parecido, confesso que não percebi muito bem e depois de pedir três vezes para repetir, desisti) responsável pelas alterações cutâneas.
O outro, mais pequeno e mais maligno, foi apanhado ainda no início, felizmente. Um tumor nas células de Leydig, penso que é assim que se escreve.
Estou muito feliz pela decisão de operar. Ainda bem!

Talibocas

Peço desculpa pelo atraso dos meus mais sinceros agradecimentos a todos os que têm contribuído para ajudar a pagar a conta da operação do Talibocas.
Até ao momento, recebemos 140 euros que serão amanhã transferidos para a conta da Clínica Veterinária de Santo Antão. Estou profundamente grata!
Quanto ao nosso guerreiro, vive feliz, alheio a todas estas questões. Se ele soubesse, se ele pudesse imaginar, tenho a certeza que vos agradeceria com muitas lambidelas (cheirosas) e com a cauda a abanar como uma ventoinha!

O Regresso do Guerreiro


O nosso rapazola voltou para casa. Feliz e contente, igual a ele próprio. Não fora por ter o pelo rapado em três patas – foi uma dificuldade encontrar uma veia decente – e o saco dos testículos visivelmente vazio, ninguém diria que foi operado.
Inspeccionei-lhe a boca e verifiquei com alegria que os poucos dentes que lhe restam estão tão brancos, tão brancos que até parecem novos! Agora é muito mais gostoso dar umas beijocas naquele focinho!

Novidades do Talibocas

O nosso guerreiro resistiu à operação e, neste momento, tem menos 17 dentes e dois testículos que quando entrou no veterinário.
Acordou bem da anestesia e amanhã volta para a Casa do Pinhal, que é um lar para ele.
Estou desejosa de lhe dar umas beijocas que, depois da sessão de higiene oral, devem ser muito mais frescas e bem cheirosas!

Cão de Ninguém


Há males que vêm por bem, dizem. No caso do Talibocas não podia ser mais verdade. Se não tivesse sido atropelado, não teriam descoberto e tratado a leishmaniose; se não tivesse sido mordido ontem, não se teria descoberto um tumor num testículo.
Cheguei agora do veterinário. O motivo que lá me levou, o golpe na gengiva, não é nada comparado com o tumor que lhe diagnosticaram.
O tumor no testículo provoca alterações hormonais que poderão ser a causa das feridas que lhe teimam em aparecer na pele, em vez de serem provocadas pela leishmaniose como se pensava.
O Dr. Paulo e a Dra. Catarina recomendam a remoção dos testículos, o que tem o tumor e, já agora, o outro. Extracção de dentes em muito mau estado e limpeza dos restantes também é recomendada. Aproveita-se a mesma anestesia e faz-se tudo.
Em vez de uma conta de 20 ou 30 euros, deparo-me com um orçamento de 250 euros! Que fazer?
Não posso assumir as despesas veterinárias de mais um cão; a conta do Google ainda está por pagar e dinheiro é coisa que não abunda.
Se fosse um cão com dono, não haveria dúvidas e avançaríamos para os tratamentos necessários a garantir-lhe toda a qualidade de vida que merece. Mas, sendo um cão de ninguém, quem se responsabiliza?
O Talibocas foi encontrado num estado lastimável depois de ter sido atropelado. Era um destroço de um cão.
A R. condoeu-se dele e levou-o ao veterinário. Poderia tê-lo eutanasiado, para não sofrer mais, mas decidiu investir em tratamentos, internamentos, transfusões de sangue e soro. O Talibocas correspondeu agarrando-se à vida com quantas forças tinha. Sobreviveu!
Enquanto estava na clínica veterinária, falei com a R. por telefone. Não é uma decisão fácil, mas defendi a “minha dama”, mais exactamente o meu “cavaleiro andante”. Já tanto foi investido para que este cão pudesse sobreviver que me parece disparatado não avançar mais um pouco e garanti-lhe uma maior qualidade de vida. Não pensei muito e decidi avançar para o tratamento. Mas preciso de ajuda para pagar a conta do Talibocas.
Quem me puder ajudar, agradeço muito, muito mesmo.
Quem puder ajudar, por favor, envie-me um email que informo do NIB da Clínica Veterinária de Santo Antão.
Duzentos e cinquenta euros divididos por muitos, dá um pouco a cada um.
Por ora, além de apelar à vossa solidariedade, resta-me torcer para que a operação corra bem e o nosso guerreiro vença vença mais esta batalha!

Alma de Guerreiro


O Talibocas é mesmo um lutador. Diz o ditado que quem vai à guerra dá e leva, mas aqui o pequenote tem o hábito de apenas levar! É ele que provoca. Depois apanha, e volta a provocar. Alma de guerreiro!
Quando saímos para passear, o Talibocas passa o portão a correr para ir ladrar à Preta, a cadela do vizinho. Há um muro que os separa e, em cima do muro, placas verdes de metal. Entre o muro e as placas, uma frincha de cerca de 5 cm. O Talibocas dá saltos à altura do muro, tentando morder a Preta. Hoje conseguiu ser mordido!
Levou uma dentada dentro da boca que lhe rasgou a gengiva. Nada que não cicatrize, mas acho melhor ser visto por um veterinário e, talvez, levar uns pontos. Antibiótico, por causa das possíveis infecções, também me parece boa ideia.
Para já, parece que está bem. Comeu, o que é bom sinal, e não parece abatido. Amanhã veremos o que diz o veterinário.

O Talibocas

(é difícil tirar uma boa foto a este cão)


Quem o viu e quem o vê!
O Talibocas está outro: ganhou peso, o pelo está a crescer, ganhou confiança.
Todos os cães gostam de mimos, mas o Talibocas… só visto!
Pela-se por um carinho. Quando não lhe estou a dar atenção, pega na minha mão com a boca, sempre suave para não magoar, depois roça o lombo na minha mão.
Não posso fazer uma carícia em outro cão, sem que ele venha a correr pedir carinho também. Rosna aos outros para os afastar como se quisesse os mimos só para ele. A Girassol e o Google não lhe ligam nenhuma, mas o Manuel sofre um bocado!
É um excelente guarda, dá sinal quando alguém passa perto e, apesar do seu tamanho minorca, impôs respeito ao carteiro.
Quando vamos passear, adora ladrar à Preta, a cadela do vizinho, mas é obediente e basta chamá-lo para ele vir ter comigo.
O Talibocas que chegou à Casa do Pinhal esquelético, com “fralda”, com olhos baços já não existe. Agora é um cão compacto, vivo, inteligente, obediente, que me adora. Creio que é feliz!

O Talibocas




Adivinhem quem está de regresso à Casa do Pinhal! O Talibocas!
Estou tão contente. Estava com tantas saudades dele.
A história do Taliban, o cão do "Vietnan" (é para rimar)!
Tanto quanto sei, este cão viveu toda a vida no pátio de uma empresa em Lisboa. Alguém lhe dava comida e água e tinha uma casota só para ele. Estava a salvo dos perigos da rua, mas era tudo o que tinha.
A R., encontrou-o na empresa depois de ser atropelado. Levou-o ao veterinário onde foi tratado e ficou internado até ganhar algum peso. Felizmente, o atropelamento não tinha sido grave, mas o Talibocas tem Leishmaniose que nunca fora tratada. Estava bastante mal. Como é um velhote duro, reagiu bem à transfusão de sangue e à medicação e, quando teve alta do internamento, veio para a Casa do Pinhal.
Lembro-me da primeira vez que o vi: era um destroço de um cão. Não tinha corpo nem para receber uma festa. Tão pele e osso que até na cabeça custava acariciá-lo.


Os ossos das ancas tinham furado a pele e tinha dois grandes buracos que precisavam de tratamento diário. Atava-lhe uma gaze à volta do focinho em jeito de açaime, calçava umas luvas e fazia o penso. Mais tarde, ele conseguia tirar o penso e eu voltava a fazer.
Com o tempo o Taliban foi ficando melhor. As feridas foram fechando e só precisava de um bocadinho de pomada para desinfectar a ajudar a cicatrizar. Engordou mais de 2 kg cá em casa. Estava na hora de voltar para a empresa.
Entretanto pedi ajuda a uma amiga para encontrar uns bons donos para o Taliban. Ele revelou-se um cão muito meigo, sempre a pedir festinhas, muito apegado a mim…
Falei com a R. que me disse que ele tem estado muito triste desde que voltou para a casota dele. Assim, combinámos que ele esperaria pelos novos donos cá em casa. Estou tão contente!

11 de Abril, sábado de manhã

Quem os conhece percebe a piada da situação. Para quem não conhece, vou tentar descrevê-los. O Maio é um cão grande, mesmo grande, jovem, cheio de energia. O Taliban, ou Talibocas como eu lhe chamo, é um cão pequeno, rodas baixas, 9 kg de cão compactados em tamanho de colo, velhote, calmíssimo.
Ora, hoje de manhã, estava eu sentada a tomar o pequeno-almoço, quando o Maio vem desafiar-me para brincar. O Maio não sabe pedir; salta para cima de mim, patas no peito, patas na cara, lá vão os óculos para o chão… Dei-lhe um grande “não”! Estou a tentar ensinar-lhe que só obtém o que pretende se pedir com maneiras.
A piada é que o Talibocas vem ao meu auxílio: coloca-se debaixo dos meus pés, a rosnar ao Maio, como quem está a proteger-me! Sabendo o tamanho de um e de outro, a situação é caricata!
Mas fiquei sensibilizada com a atitude do Talibocas. Ele está a afeiçoar--se muito a mim, e, como todos os cães que vieram da rua, tem uma lealdade imensa!
Sei que quando chegar o dia de nos separarmos, vai ser muito difícil para nós os dois!
"Sempre que um cão sai das minhas mãos para uma nova família, desejo que o tratem tão bem, ou ainda melhor, que eu. Desejo que compreendam que o cão não entra na suas vidas para os fazer felizes, mas, inversamente, a ideia é eles fazerem feliz o cão."