Rapidamente


Passo por aqui só para desejar boas entradas em 2010 e dizer que a cãobada está bem; o Talibocas vai melhorando devagarinho e já se notam algumas melhoras nas patas da Spring. Com este tempo frio e ventoso, os "meninos" só querem estar deitados a descansar, de preferencia tapados com mantas.

Volto para o ano com mais novidades. Bom ano!

Vantagens de Adoptar um Animal Adulto

Recebi esta mensagem da PetNet:
"Os animais abandonados já foram bebés. Já viveram numa casa que depois, por algum motivo, os dispensou. Muitos são deixados para trás no mato, no caminho para as férias, outros são encontrados à beira das auto-estradas e outros são deixados nos canis/ gatis pelos próprios donos. As histórias repetem-se. E os animais esmorecem aos poucos num canto esperando pelos seus donos. Muitos adoecem com graves depressões e deixam-se morrer, evitando a comida e a água.
Um animal, independentemente da sua idade, tem muito amor para dar. Os animais abandonados, quer gatos quer cães, aprendem a amar quem lhes quiser bem. De facto, já passaram por tanta negligência e maldade que aprendem a amar a nova família adoptante de uma maneira incondicional. Os animais abandonados têm uma história muito triste por contar. Não deixem que uma dermatite causada pelas andanças na rua, a sua magreza ou a sua triste aparência vos iluda. Quando tinham dono o seu pêlo era lindo, eles corriam felizes e tinham um belo porte. Agora abandonados parece que todo o mundo desistiu deles. Vivem uma vida marginal, sobrevivendo de algumas (raras) pessoas bondosas que se vão sensibilizando. Muitos de vocês têm um animal. Agora imaginem como seria se o vosso menino andasse vagueando pela rua tentando sobreviver... É o que milhares deles fazem. E cada dia que sobrevivem é uma vitória. Que bom seria voltarem a ter uma casa que lhes desse mimo, que os acolhesse e que os tratasse para que o seu pêlo voltasse a brilhar. Que orgulho seria ter um guerreiro destes em casa…
São várias as vantagens de adoptar animais adultos:
* Talvez a mais importante é o facto de estarem a retirar um animal de um canil/ gatil, evitando o abate de uma vida inocente. Anualmente milhares de animais são abandonados, de todas as idades e de todas as raças. Muitos animais, exactamente por terem sido abandonados por alguém sem escrúpulos, estão já educados para viverem em casa e têm, por isso, certos hábitos incutidos. Hábitos higiénicos – como por exemplo, o hábito de passear na rua, recusando fazer necessidades em locais fechados; o hábito de não ladrarem às visitas; ou de se comportarem às horas de refeição;
* Já não terão o hábito de roer a mobília (próprio de muitos cachorros durante a mudança de dentição) e alguns – concretamente aqueles que tiverem sido abandonados já adultos – estão ensinados a não fazer as necessidades em casa. Também não fazem as interrupções naturais dos animais bebés durante a noite para serem alimentados; Os animais abandonados estão de tal forma gratos por uma segunda oportunidade ao serem retirados dos seus abrigos, da rua ou do canil/gatil que exibem comportamentos altamente dóceis e carinhosos para com os seus novos donos;
* Uma das grandes vantagens em adoptar um animal abandonado é a percepção automática do seu carácter apenas através da observação imediata do animal. Muitos cachorros/ gatinhos bebés crescem nas nossas casas e ganham hábitos muito «humanos». Querem tomar as refeições à mesma hora que os seus donos, exigindo atenção; os cães ladram aos vizinhos e visitas porque não foram totalmente ensinados; ou são ciumentos e possessivos com os seus pertences. De facto, quando um cachorro/ gatinho é adquirido não sabemos exactamente que carácter irá desenvolver. Pelo contrário, um animal adulto é tal e qual como se mostra à partida. A personalidade que exibe no momento espelha aquilo que ele é. Assim, se mostra ser carinhoso com crianças, se se deixa tocar enquanto está a comer ou se demonstra estar à vontade com coleira e trela sabemos que é esse o seu comportamento, deixando-nos completamente relaxados;
* Os cães e gatos abandonados são tendencialmente carinhosos. Os cães, por exemplo, tornam-se altamente seguidores das nossas actividades, mostrando-se sempre preparados para nos acompanhar onde quer que seja, sempre com um receio inconsciente de que sejam novamente abandonados. Os gatos procuram igualmente a nossa companhia, mimando-nos incondicionalmente. Eles são os animais domésticos que mais notam as diferenças ambientais. Um novo lar e muitos mimos irão deixá-los completamente derretidos."

22 de Dezembro, terça-feira


Hoje foi dia de veterinário.
A Spring foi esterilizada. Acabam-se os cios inoportunos e a possibilidade de acontecer alguma gravidez indesejada. Sim, que não é “depois de casa arrombada, trancas à porta”, temos de agir antes para que a casa não seja arrombada, que é como quem diz que não nasça mais uma ninhada de cachorros sem lar onde os desejem.
Nunca é demais repetir: esterilizar, esterilizar, esterilizar! É a maneira de acabar com a sobrepopulação de animais cães e gatos e com o consequente sofrimento a que está sujeita a grande maioria que não encontra abrigo num lar onde seja amada. Esterilizem as cadelas e os cães, as gatas e os gatos que vivem convosco. E quando estes estiverem esterilizados, não se fiquem por aí, e esterilizem a cadela da vizinha, a gata da prima. Sejam padrinhos e madrinhas de esterilização de animais que vivem nas ruas ou estão abrigados em alguma associação. Cada esterilização impede que milhares de animais sofram. Digam lá se não vale a pena!
Voltando ao veterinário. O Dr. Paulo fez uma ou duas punções na bola que o Talibocas tem na bochecha para mandar analisar. Ficamos à espera dos resultados para perceber melhor o que se passa. De qualquer modo, concordou que está a diminuir de tamanho e esperamos que desapareça por si.
Lamento referir este assunto, mas a última operação do Talibocas ainda não está paga, pelo que se alguém puder dar uma ajudinha…
Aproveitei a presença do Dr. Paulo para lhe pedir que apalpasse o Google que me parecia tinha um ligeiro inchaço na zona da garganta. Ele apalpou, apalpou, e disse que não era nada mas que devíamos estar sempre atentos. Moral da história: quando fizer festinhas aos cães, vou aproveitar para os ir apalpando, não vá aparecer algum inchaço suspeito!
O Zorba, o Manuel e a Girassol escaparam à vistoria médica; o Zorba porque já tinha sido visto quando levou o reforço da vacina, o Manuel e a Girassol não perdem por esperar porque já tenho planeado que vão fazer análises em Janeiro. O Manuel vai fazer uma citologia a uma otite que teima em resistir a todos os tratamentos e a Girassol, que, tirando uma artrose própria da idade, tem tido uma saúde de ferro, vai fazer uma análise ao sangue só para confirmar que está tudo bem. É que a idade não perdoa e mais vale prevenir que remediar.

Postal de Natal da Bianca


Postal de Natal da Pata Vermelha


Ontem

Que dia! Que chuva, que frio, que temporal!
Sei que não tenho o direito de me queixar, mas ontem foi daqueles dias em que apetece dar um pontapé na vida!
O frio era de rachar. O vento não estava de feição e empurrava o fumo da salamandra para dentro de casa. Tive de desistir e ligar o aquecedor, mas não é a mesma coisa.
Estou habituada a ter a saleta da salamandra bem quente e o resto da casa com uma temperatura amena. Ontem tinha uma temperatura amena ao lado do aquecedor e tiritava de frio no resto da casa!
Chovia! O Google pedia-me para ir à rua e, quando lhe abria a porta para o pátio, olhava para mim e desistia. O Manuel e o Zorba foram os únicos que se aventuraram a ir fazer um xixi lá fora. Escusado será dizer que passei boa parte do dia a limpar, a limpar e a voltar a limpar. Não os censuro, no lugar deles teria feito o mesmo.
Dormi abraçada à Spring. Senti que precisava de aquecimento extra durante e noite e convidei-a para dormir na minha cama. Foi o que fiz de melhor.
Os outros, deixei-os tapados com mantas antes de me ir deitar. Claro que se destapam durante a noite, mas mais não podia fazer.
Foi um dia horroroso e estou contente por ter acabado.
A única parte boa foi ter conseguido salvar o passarinho. Peguei nele com muito cuidado e soltei-o na janela. Ele voou para a ameixeira no fundo do pátio. Espero que tenha aprendido a lição e não volte a entrar em casa.

O Passarinho

Hoje a sala dos cães foi invadida por um passarinho. Pequenino como um pardal, aliás muito parecido com um pardal, só que tem o papo cor de laranja, não sei se há pardais assim.
Os cães fazem uma algazarra doida a ladrar e saltar para tentar chegar ao passarinho que se refugiou num vidro das janelas mais altas.
Fechei os cães no pátio e abri uma janela para permitir ao passarinho fugir.
Nada. Ele continua lá. Assustado. Provavelmente cansado.
Tenho pena dos cães que devem ter frio e abro-lhes a porta. A algazarra recomeça. O passarinho esvoaça, esvoaça a tentar sair pelo vidro fechado, ignorando a janela aberta.
Volto a fechar os cães no pátio. O passarinho agora pode descansar.
Desejo que ele descubra a saída e voe para longe. Já morreram tantos pardais no Verão; os cães atacavam-nos sem dó nem piedade. Gostava que este se safasse.

Está frio

Não escrevo muito. Está frio. Antes que o sol se ponha, ateio o fogo na salamandra e enrosco-me com a Spring ao colo, o Google ao lado, a ocupar metade do sofá.
O tempo escorre por entre as carícias na Spring, o olhar para as labaredas, o livro que tenho entre mãos…
Escrever? Não. Está frio.


Um caso de Natal



Costumo usar a expressão “cães de Natal” para me referir aos cachorros que são comprados ou adoptados para serem oferecidos como prendas de Natal. Uso-a com sentido pejorativo porque estou convencida que a maioria destes cães é abandonada até ao Verão pelos motivos habituais: dão muito trabalho, crescem, as pessoas vão de férias…
Quero acreditar que nem sempre é assim, mas… Apesar de não existirem estatísticas, a maior parte das vezes, é o que acontece.
O caso que apresento agora começa da maneira habitual. Um casal decide adquirir um cachorro de raça Labrador para oferecer aos filhos no Natal. A diferença surge quando o casal se mostra particularmente consciencioso e, em vez de optar por uma qualquer loja de animais, decide comprar directamente ao criador e visitar as instalações do criador antes de efectuar o negócio.
Esta é uma atitude que aconselho a todos os que optam por comprar um cão. Quem quer investir na compra de um cão deve ter o direito de conhecer os progenitores e as condições em que passam os primeiros meses de vida. Deve ainda poder exigir um documento certificando a compra/venda em que fique escrito todas as condições acordadas. Os bons criadores geralmente disponibilizam-se para aceitar o cão de volta caso a família deixe de poder cuidar dele por alguma razão. Também há algumas doenças hereditárias pelas quais os criadores devem ser responsabilizados no caso de o cão vir a padecer delas.
Enfim, há uma série de cuidados que devem ser acautelados e contratados por escrito quando se efectua o negócio.
Em relação ao casal que queria comprar o Labrador bebé, leiam o que aconteceu.

Depois de falar com o Dr. Paulo


Combinámos que o Talibocas continuaria a tomar o antibiótico e esperaríamos mais umas semanas a ver se melhora. Entretanto, vou colocar-lhe duas vezes por dia pachos de água quente para ajudar desinchar. Espero que resulte.
Quanto à Spring, vai começar a tomar antibiótico para tentar resolver o problema das feridas nas patas que poderá ser de origem alérgica.

Daisy

Agradeço a preocupação e o cuidado com os meninos.
Infelizmente, não se registam melhoras. Ainda pensei que o inchaço do Talibocas pudesse estar a diminuir e eu não reparasse por estar sempre com ele, mas comparei com as fotos que lhe tirei quando veio do veterinário e verifiquei que está na mesma...
Combinei com o veterinário falar com ele amanhã. Vamos ver a opinião dele, mas eu gostaria de evitar uma nova operação...
As patitas da Spring também não apresentam melhoras significativas. Às vezes, melhora um pouco; depois ela lambe até voltar a ficar em carne viva! Já desisti e fazer pensos que ela tira em meia hora, o que faço é barrar com a pomada de noite para tentar que ela durma em vez de lamber... Não está a ser nada eficaz. Amanhã também vou falar com o Dr. Paulo sobre isso.
O Zorba está bem. A "caspa" que ele tem no lombo está a melhorar com o tratamento.
O que ele gosta mais é de mimos e companhia. A semana passada teve a companhia da Eva Marley que brincou com ele até não poder mais. Continua no pátio das traseiras com o resto da matilha e tento passar o máximo de tempo com eles.
O Manuel continua igual a ele próprio. Está óptimo.
O Google e a Girassol estão mais tempo dentro de casa, na sala ou no meu quarto, ou ficam no pátio da frente porque não se dão bem com o Zorba. Estão completamente podres de mimo, o que só lhes faz bem.
Amanhã, depois de falar com o veterinário, dou mais notícias.

O Senhor R.

O Senhor R. começou por fazer algumas horas diárias de voluntariado num abrigo de uma associação no centro do país. Limpava, alimentava os cães, brincava com eles e dava-lhes muito mimo…
As horas passaram a dias e, tanto durante a semana como ao fim de semana, fizesse sol ou chovesse, lá estava o Senhor R. a tratar dos animais. Dizia-se que cozinhava qualquer coisa e comia por lá.
Recentemente, uma voluntária, ao reparar num contentor no espaço do abrigo, perguntou ao Senhor R. quem tinha sido o bem feitor que o oferecera para os animais.
O Senhor R. explicou que não era para os cães, era para ele. É que a sua bicicleta estava estragada e não tinha outro meio para se deslocar para o abrigo. Assim, pedira a um amigo que lhe oferecesse o contentor e mudara-se para lá.
E foi assim que o abrigo da associação de A. ganhou um novo hóspede que, ao contrário do usual, não é canino mas humano!

Breves


Notícias do Talibocas: O nosso menino continua a parecer que tem uma bola de tenis na boca! Não há alterações. A parte boa é que anda feliz e contente da vida pelo que, suponho, não tem dores.

Notícias da Eva: Está mais calma. Passa mais tempo sem chorar. Quando me vê, faz-me uma festa como se não me visse há décadas. Quando a deixo, fica a chorar...

Aproveitando o Sol


Halti

A Eva usa um Halti para refrear o impulso de puxar a trela. Dá resultado.
Em especial para a D. Lina do Zorba, encontrei este site que informa sobre vários produtos para cães (halti incluído). Achei-o muito interessante.

Boa Noite


Talibocas

O nosso Talibocas está de regresso. Está muito inchado, mas continua bem disposto, parece não ter dores apesaro do ar sofrido...
Bem-vindo, meu menino.

Um dia de cão

A Eva, uma cachorra de dez meses com ares de Leão da Rodésia, chegou à Casa do Pinhal ontem de manhã.
Estava muito excitada com tantos cheiros novos e ansiosa porque é a primeira vez que está separada da dona. Achei que estava a ser muito complicado para ela, mas acabou por acalmar e passou a noite melhor do que eu esperava.
Hoje, acordei com os ganidos da Eva. Estava a chorar, muito ansiosa…
Liguei ao veterinário para saber se poderia fazer alguma coisa para acalmar a Eva. Ele explicou-me que é normal os cães ficarem assim excitados quando sentem o cheiro de mais cães desconhecidos. Fiquei a pensar que este problema deve acontecer em todos os hotéis caninos; a diferença é que, no meio de tantos cães, ninguém os ouve chorar.
A Eva só descansa quando estou ao pé dela. Passei o dia na “sala dos cães” com ela e com o Zorba, tirando alguns intervalos para almoçar e ir à casa de banho. Durante a tarde ainda dormiu umas duas ou três horas o que me permitiu dar um bocado de assistência aos outros cães.
Agora deixei-a sozinha com esperança que chore tudo e se acalme para a noite. Eu também preciso de descansar…
Os outros cães ficaram em casa todo o dia. A chuva não convida a passeios e, quando não chove, é o vento que nos empurra para dentro de portas.
O Talibocas deve chegar amanhã. Ainda está a ser vigiado porque há o perigo de uma hemorragia. Quando chegar vai precisar de cuidados e vigilância. O Dr. Paulo diz que ele está bem-disposto e que come bem. É um resistente! Tenho a certeza que vai ultrapassar mais esta crise.

Gentle Leader

Esta parece ser uma coleira muito interessante poir permite um maior controlo do cão sem se tornar incómoda para ele. Gostava de saber de lojas de animais onde a vendam...

Notícias

O nosso Talibocas foi operado ontem a um “alto” que lhe apareceu na bochecha. Volta amanhã para os nossos braços. A operação foi feita na Clínica Veterinária de Santo Antão da Ericeira e custou 120 euros. Aceitam-se e agradecem-se quaisquer contribuições.
O Zorba já está junto com a Spring. É melhor para ele porque assim passa a ter acesso ao pátio de trás e à “sala dos cães”. Com o tempo chuvoso que se avizinha, tem mais espaço coberto e mais companhia.
As obras avançam a passo de caracol. Hoje vieram entregar as placas de rede, agora aguardo que venham montar a rede e as portas. Um passo de cada vez a tentar não me enervar muito com as demoras…
Medalhas de Identificação para Animais

Para onde vão os cães que não ficam em nossas casas

Porque é que defendo tão veementemente a esterilização? Este vídeo responde.

Cães Cupido


Gosto de todos os cães. Que razões teria para não gostar? Nunca conheci um cão que fosse sacana, maldoso, mau carácter… Portanto, gosto de cães. Gosto e está muito bem assim.
O problema são os cães cupido, aqueles que não se limitam a entrar na minha vida, entram-me pelo peito adentro e arrebatam-me o coração.
Não são todos os cães. Ah, pois não!
De alguns aprende-se a gostar, como o Manuel, um eterno “enfant terrible”, que, depois de viver com ele quatro meses, já não me consegui separar.
Outros fazem-nos pensar: que será de ti se não te deitar a mão? Como o Google que amo com verdadeira paixão.
Outros ainda cativam-nos com o seu olhar. Como a Girassol, que me perdi nos seus olhos e já não poderia ser feliz se não lhe desse a conhecer um lado mais suave da vida, se não a fizesse perder o medo, apreciar uma carícia, experimentar o conforto de uma cama quentinha…
A Spring? Ai a Spring! Feriu-me de amor e sangro só de pensar em separar-me dela. Que os deuses me protejam e me ajudem a encontrar o caminho…

O Seminário


Correu muito bem. Gostei muito e penso que os outros participantes também gostaram. Tivemos sorte com o tempo e pudemos fazer a parte prática no jardim.
A formação foi um bocado intensa, mas, devido à limitação do tempo, tinha que ser.
A parte teórica foi muito importante para mim, porque me deu bases para a compreensão dos cães e do modo como eles “pensam” e aprendem.
A parte prática foi a exemplificação de como se pode ensinar os comandos básicos e outros mais avançados. Nenhum cão saiu de lá a saber fazer tudo, mas nós saímos a saber como ensinar os nossos cães. Agora temos de ir treinando um bocadinho todos os dias.
A Spring aprendeu o senta e o deita, agora tenho de treinar para consolidar essa aprendizagem, mas ela reagiu bastante bem, até melhor que eu esperava.
O Manuel fez um sucesso com os “senta” muito bem treinados e com a sua simpatia habitual.
Tive ainda a oportunidade de conhecer cães e pessoas fantásticas.
As fotos? Bem, as fotos hão-de chegar… Infelizmente esqueci-me de levar a minha máquina a e Cláudia também se esqueceu! Mas houve um “salvador” que levou e ficou de nos enviar as fotos. Assim que chegarem, posto-as.
Para já, fica a notícia: correu tão bem que já estamos a pensar em repetir a experiência lá para a Primavera!

Para onde vão os cães que não ficam em nossas casas?

Este artigo está escrito na primeira pessoa, não pretende apresentar soluções, apenas fala dos sentimentos da autora enquanto técnica de abate num canil/gatil.
Gostava que o lessem, não para ficarem tristes ou chocados, mas para que todos saibam para onde vão os cães que não ficam em nossas casas. Não há volta a dar; a única alternativa possível a esta realidade é a esterilização
.

Spring Time

Todos os dias encontro um bocadinho de tempo em que me sento com a Spring na sala. Ficamos as duas muito abraçadas, apertadas, agarradas… Faço-lhe festas e, se por alguma razão paro, ela reclama com a pata. É o nosso momento.
É assim que, mesmo em pleno Outono/Inverno, para mim, todos os dias são de Primavera!

Afonso

O Afonso, um dos filhos da Girassol. Ele e a irmã, Maria, foram os primeiros cães que acolhi temporariamente até serem adoptados.
A Maria mudou de nome para Vicky e creio que está bem. Ele foi devolvido por ser mal comportado.
Mais um daqueles casos em que os donos falham a educar os cães e quem sofre são os animais...

Zorba e Manuel


Posse Responsável


Hoje de manhã, recebi um email com o folheto acima e outro que passo a transcrever, junto com a minha resposta. Os comentários ficam a vosso cargo.
"Exma,
Venho por este meio dar-vos conta de uma importante informação.
Numa loja de animais em XXX aceitam-se ninhadas de cães ou gatos rafeiros.
Há sempre gente a passar por lá a pedir por cães bebés ou gatinhos e muitas vezes os proprietários da loja já nem têm animais para dar.
É uma solução muito boa para os casos de caezinhos ou gatinhos em risco de abate, parece-me porque sei que lá os animais são muito bem tratados e arranjam dono.
Os donos da loja aceitam os animais e tratam-nos muito bem, só não os vão buscar a lado nenhum...
São os interessados que têm que se deslocar.
Ora, só tem que se dirigir ao centro de XXX (que fica XXX caso não tenha conhecimento da localização) e procurar pela loja de animais que se chama "XXXXX".
Ora a morada é:
XXXX
Como chegar:
XXXXXXXXX.
Está aberta de segunda a sábado até às 19 e encerra aos domingos.
Abre às 10 das manhã e fecha às 13. Abre de novo às 15 e fecha às 19 portanto.
Bem, espero que tenha ajudado.
Cumprimentos
XXX XXXX"
A minha resposta:
Senhor XXX XXXX,
Agradeço a informação que divulgou e, confesso, que me deixou bastante preocupada. Não duvidando das boas intenções do pessoal da loja de animais, a minha experiência, por pequena que seja, diz-me que esta situação é extremamente perigosa.
Passo a explicar.
Calcula-se que em Portugal haja cerca de 11 a 15 mil cães abandonados. A grande maioria destes animais tem origem em casa, ou seja, foram adoptados ou nasceram de ninhadas indesejadas e, posteriormente, foram abandonados.
Nas campanhas de adopção em que participei, verifiquei que os bebés são sempre os mais apreciados e fáceis de dar para adopção. A verdade é que toda a gente quer um bebé porque os bebés são muito queridos e fofinhos, mas poucas pessoas tem capacidade de cuidar de um bebé, ensiná-lo a não roer tudo e a fazer as necessidades no sítio, pagar as despesas de saúde... Acontece frequentemente os bebés serem devolvidos depois de alguns meses porque os donos não aguentam mais ter a casa toda destruída, porque estão fartos de limpar os xixis e cocós fora do sítio, porque crescem e deixam de ser queridos e fofinhos...
Outra questão muito importante é que a grande maioria das pessoas não está sensibilizada para a necessidade de esterilizar as fêmeas de modo a evitar ninhadas. Acham que podem evitar que as fêmeas engravidem se as mantiverem longe dos machos na época do cio ou que poderão encontrar donos para os bebés que vierem a nascer. Nem vale a pena dizer que esta situação multiplica os casos de animais indesejados e abandonados. Por isso é que a maioria das associações tem muito cuidado em dar para adopção apenas animais esterilizados e,caso ainda sejam muito novos para serem dados esterilizados, acompanhar a adopção para garantir que serão esterilizados quando chegar a altura. Caso não o façam, as pessoas das associações sabem que estão a multiplicar os problemas que tentam resolver em vez de os resolver.
Uma adopção bem feita, implica muito trabalho. É preciso conhecer os candidatos a adoptantes e perceber se tem condições de tempo e dinheiro para ter um animal de estimação. É preciso ir a casa deles para saber se tem condições para terem o animal. É preciso saber se o animal que tencionam adoptar se adapta ao seu estilo de vida. Se tudo isto correr bem e o animal for adoptado, é preciso fazer visitas de acompanhamento para saber se tudo está a correr bem e o bicho está a ser bem tratado ou se, pelo contrário, foi relegado para uma varanda ou para meio metro de corrente amarrado a uma casota.
Além de tudo isto, há outras situações que é preciso ter em conta. Algumas pessoas usam animais vender, para treino de lutas de cães, experiências médicas e outras situações tão aberrantes que nem vale a pena mencionar. Claro que não dizem as suas verdadeiras intenções. Dizem que gostam muito de animais e sempre quiseram ter um cachorrinho. Mais um motivo para termos muito cuidado com as adopções.
Todas estas situações fazem que me preocupe bastante com a situação que referiu. Só posso pedir-lhe que tente alertar o pessoal da loja de animais para os perigos daquilo que estão a fazer. Fico a aguardar notícias suas.
Atentamente
I

Leishmaniose


Há tempos conheci uma senhora que trabalha como voluntária num canil onde abatem todos os cães cujo teste de leishmaniose dá positivo.
O Talibocas tem leishmaniose perfeitamente controlada. Toma ¾ de comprimido Alopurinol diariamente e faz análises ao sangue com regularidade. Os resultados das análises indicam que não há progressão da doença. A única marca visível eram as peladas, mas com a remoção dos tumores dos testículos, percebemos que as peladas não eram provocadas pela leishmaniose, mas sim, pelas alterações hormonais originadas pelos tumores.
Lembro-me quando essa senhora viu o Talibocas olhou para ele de um modo que não gostei. Parecia dizer que não havia lugar para ele no mundo. Referiu as peladas e disse que o pelo nunca mais ia crescer…
Ora o Talibocas está óptimo, tem pelo a crescer por todo o lado. Ainda se nota a diferença porque os pelos ainda não têm o tamanho normal, mas é só uma questão de tempo!
Claro que essa senhora não tem nada contra o Talibocas, apenas aprendeu que os cães que têm leishmaniose são para abater.
É assim porque a solução mais fácil é sempre o abate. A mais fácil, mas não a mais eficaz! É que a leishmaniose não se transmite pelos cães contagiados, mas pelos mosquitos. De que serve eliminar os cães, se não se eliminarem os mosquitos?

Bons Sonhos

Manuel, Lela e Lucy

Livros


Li um dos livros do Senhor César Millan em que ele contava como tinha lidado com cães ao longo da sua infância. Os avós viviam numa herdade ou quinta onde habitava uma matilha. Os cães não entravam em casa nem eram alimentados com regularidade. Acompanhavam o avô quando ele ia trabalhar para os campos e, caso ele se esquecesse do chapéu ou da enxada no campo, um dos cães ficava a guardá-la durante a noite. Claro que não havia qualquer controlo sobre a reprodução da matilha. Homens e cães coexistiam harmoniosa mas independentemente.
Claro que quando César Millan chegou aos Estados Unidos da América estranhou o modo como as pessoas se relacionam com os seus cães. Lembro-me dele referir que os cães felizes eram os dos sem-abrigo, pois acompanhavam-nos durante o dia em longas caminhadas, dormiam juntos e partilhavam a comida. Isso era o mais próximo possível da vida que os cães teriam se não existissem os homens.
Depois li o “Timbuctu” do escritor Paul Auster em que o narrador é um cão de um sem-abrigo cuja vida muda, quando o sem-abrigo morre, e acaba por ser adoptado por uma família. Claro que é uma obra de ficção, mas não me custa imaginar o alívio do cão por se livrar das pulgas e carraças que o infestavam ou o prazer que sentia em ser alimentado regularmente.
Olho para o Google, deitado ao meu lado no sofá vermelho, e sei que ele aprecia um longo passeio pelo campo mas, quando chegamos a casa, é o primeiro a entrar no portão e suspira de prazer quando regressa ao sofá. Será que ele apreciaria do mesmo modo o passeio se não tivesse a certeza de ter o sofá à sua espera no regresso?

Compras


Hoje fui às compras. Além das coisas que servem para encher o frigorífico e a despensa, comprei uma coisa que há muito tempo queria ter: um corredouro. Adorei.
Aproveitei ter os cordões da bolsa abertos e comprei também uma sineta para pendurar no portão. É que não tenho campainha. Até agora era o Talibocas que exercia essa função, ladrando sempre que alguém se aproximava. O problema do Talibocas era que não dava sinal apenas às minhas visitas mas a todos que passavam na rua, fosse a pé, de carro ou de bicicleta. Isso obrigava-me a estar sempre a espreitar para ver se se tratava de visitantes ou de meros transeuntes. A partir de agora (enfim, de quando a sineta estiver pendurada) vou ser avisada com maior acuidade!
Acho que as compras de hoje vão melhorar substancialmente a minha qualidade de vida!

Obras

Felizmente, o dia amanheceu sem chuva e as obras começaram! Finalmente! Pelo plano inicial já deveriam ter acabado há muito.
Se tudo correr como o previsto (que nunca acontece) daqui a quinze dias a Casa do Pinhal vai dispor de cinco belas boxes de 10m2 cada. Assim será mais fácil, acolher os cães que não são muito sociáveis e aqueles cujos donos preferem que fiquem separados dos outros.
Para já, o que tenho é um terreno cheio de lama, de marcas de tractor, de areia, cimento, tijolos…
Estou ansiosa para que as obras terminem e para me poder dedicar a criar um lindo jardim no que agora não passa de um lamaçal. Como não percebo nada de arquitectura paisagística, agradeço sugestões, principalmente no que concerne à cobertura do terreno. Relva? Que tipo de relva? Gostaria de algo que não necessite de muita manutenção e seja resistente a cães.

Invernia


Chove. Quando não é a chuva é o vento que me empurra para dentro de casa. Gostava de passar mais tempo com o Zorba, mas ele também se refugia na sua casota/palácio e, lá de dentro, estende-me a pata como quem pede festas.
Acho que ele já se habituou à nova vida, às rotinas e ao espaço. É um querido. Gosta de sentar-se e apoiar as duas patas dianteiras em mim enquanto lhe faço festas.
A Spring continua linda. As patas continuam com feridas, mas ela não ajuda, lambendo sempre e roendo os pensos que lhe faço. Agora até o Talibocas a ajuda a lamber as patas! Vou arranjar-lhe um funil para a impedir de tirar os pensos e lamber as patas. É a única maneira.
O Google já tirou o penso e agora vai acabar de cicatrizar a costura ao ar. Continua magro mas anda mais animado.
O pelo do Talibocas está a crescer em todas as zonas em que tinha peladas, mesmo naquelas que eu pensava que já não iam recuperar. Está a ficar lindão.
Estão todos a perder imenso pelo. Há pelos pela casa, pelo ar, pelas roupas, por todo o lado…
Amanhã começam as obras, se não chover!

Tempo de paz


Hoje foi um dia daqueles! Muitas correrias, telefonemas, pessoas… Claro que também houve tempo para os cães, para os mimos, para os passeios, para os curativos… Agora é tempo de paz.
Os cães já comeram e deitaram-se para descansar, que eles não querem saber das horas, é noite e basta.Eu respiro fundo. Amanhã é outro dia. Agora é tempo de paz.
"Sempre que um cão sai das minhas mãos para uma nova família, desejo que o tratem tão bem, ou ainda melhor, que eu. Desejo que compreendam que o cão não entra na suas vidas para os fazer felizes, mas, inversamente, a ideia é eles fazerem feliz o cão."