Livros


Li um dos livros do Senhor César Millan em que ele contava como tinha lidado com cães ao longo da sua infância. Os avós viviam numa herdade ou quinta onde habitava uma matilha. Os cães não entravam em casa nem eram alimentados com regularidade. Acompanhavam o avô quando ele ia trabalhar para os campos e, caso ele se esquecesse do chapéu ou da enxada no campo, um dos cães ficava a guardá-la durante a noite. Claro que não havia qualquer controlo sobre a reprodução da matilha. Homens e cães coexistiam harmoniosa mas independentemente.
Claro que quando César Millan chegou aos Estados Unidos da América estranhou o modo como as pessoas se relacionam com os seus cães. Lembro-me dele referir que os cães felizes eram os dos sem-abrigo, pois acompanhavam-nos durante o dia em longas caminhadas, dormiam juntos e partilhavam a comida. Isso era o mais próximo possível da vida que os cães teriam se não existissem os homens.
Depois li o “Timbuctu” do escritor Paul Auster em que o narrador é um cão de um sem-abrigo cuja vida muda, quando o sem-abrigo morre, e acaba por ser adoptado por uma família. Claro que é uma obra de ficção, mas não me custa imaginar o alívio do cão por se livrar das pulgas e carraças que o infestavam ou o prazer que sentia em ser alimentado regularmente.
Olho para o Google, deitado ao meu lado no sofá vermelho, e sei que ele aprecia um longo passeio pelo campo mas, quando chegamos a casa, é o primeiro a entrar no portão e suspira de prazer quando regressa ao sofá. Será que ele apreciaria do mesmo modo o passeio se não tivesse a certeza de ter o sofá à sua espera no regresso?

Um comentário:

Ana Sofia disse...

Eu acho que o google realmente não estaria tão tranquilo se não soubesse que ao chegar a casa está lá o seu cantinho à sua espera. Paro neste momento para pensar em todos os animais que são abandonados que pensam que, tal como saem, regressarão com os donos, à sua casa, ao seu mundo, ao seu cantinho, e de repente foge-lhes o chão e nada disso acontece... é uma triste realidade. So tenho a acrescentar que os habitantes da Casa do Pinhal são uns felizardos porque têm um cantinho e muitos cuidados e carinho e a companhia uns dos outros que aos poucos e poucos se vºão habituando e as fotografias que expoe são um claro exemplo da boa relação que consegue entre alguns!

"Sempre que um cão sai das minhas mãos para uma nova família, desejo que o tratem tão bem, ou ainda melhor, que eu. Desejo que compreendam que o cão não entra na suas vidas para os fazer felizes, mas, inversamente, a ideia é eles fazerem feliz o cão."